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  • Jeff Porciúncula

A inteligência artificial, criada pelo homem, vai destruir seu criador?

Temos visto uma avalanche de mudanças nos últimos tempos, e uma das que mais chama atenção, é a provocada pela evolução incrível da inteligência artificial. Ela tem mudado muitos conceitos. Setores estão sendo completamente modificados, modelos de negócios revistos, a ciência já se rendeu a ela, e há rumores que, em breve, casas, prédios, serão construídos por impressoras 3D (ou sei lá quantos D terão até que isso aconteça), claro, impressoras comandadas pela I.A.

Há muita coisa boa nessa mudança toda. Muito conhecimento novo, ideias novas, rapidez em algumas áreas onde a morosidade atrapalha muito. Imagine a medicina com I.A.? Um software controlando os robôs que operam pessoas em um décimo do tempo em que um médico o faria com o bisturi. Isso vai salvar muito mais vidas, evitando ou quem sabe resolvendo o grave problema da fila do SUS.

Na área de contabilidade, robôs fazendo toda a parte operacional, fiscal, deixando mais tempo livre para o contador, o empresário pensarem o negócio.

Enfim, ela tem muitos atributos para tornar nossa vida muito melhor.

Mas existe algum lado obscuro nisso tudo?

Penso que sim, existe. Sempre falamos que o ser humano precisa se adaptar, e que quando uma porta se fecha, abrem -se outras. Romântica e filosoficamente isso é lindo, mas na prática, às vezes o tempo que se leva para que todos se adaptem, é cruel.

Imagine uma impressora imprimindo um prédio. Digamos que, no máximo, ela precise de um software, e dez pessoas para cuidar desse projeto. Em 6 meses, o prédio estará pronto. Isso não é fantástico? Menos custos, provavelmente, imóveis mais baratos, e pessoas mais felizes morando no que é seu em menos tempo.

Porém, e os 300 colaboradores que trabalhariam na construção desse imóvel? E todos os fornecedores de mercadorias que agora não são mais usadas, pois o nível de produtos usados pela impressora é infinitamente menor?

No caso da contabilidade, os robôs fazem milhares de vezes mais lançamentos do que os auxiliares contábeis. Isso é excelente, pois gera mais rapidez nas informações, levando o empresário a tomar decisões mais velozes e que trarão mais resultado, não é mesmo?

Sim, mas e os 20 colaboradores do escritório, que ficou somente com 3 para operar e cuidar dos papeis e do robô? O que será dos outros 17?

"Ah, tanto profissionais da construção civil, quanto da contabilidade, e de quaisquer outros setores afetados pela I.A., precisam de adaptar". É isso que estamos alegando.

Também concordo, contudo, em partes, pois estamos sempre em evolução, e é preciso essa tal de adaptação o tempo todo. Mas, na construção civil, digamos, serão milhões de demitidos, ou seja, eles vão se readaptar em qual setor? Na contabilidade serão milhões de dispensados. Eles vão para onde? Será que todos viraremos jogadores de basquete, por exemplo, onde, provavelmente, mesmo a I.A. criando um robô que arremesse melhor, ele não teria muita audiência? (ou teria...?).

Um belo exemplo de que a I.A. vai trazer graves consequências, se mantivemos a ideia de que ela só tem benefícios, é o UBER. A criação foi fantástica, gerou milhares de empregos no Brasil e milhões pelo mundo, dando oportunidade a muitas pessoas.

Porém, agora, estão criando carros autônomos, ou seja, é como diria minha avó: "dão com uma mão, e tiram com as duas".

Eu sou fã das mudanças, e penso que precisamos cada vez mais de tecnologia, inovação. No entanto, não podemos criar algo que vai nos destruir. Toda invenção deveria priorizar o bem da maioria das pessoas. Se o "avanço" vai prejudicar muito mais gente do que colaborar assertivamente para a vida das pessoas, precisa ser redesenhado.

Não é teoria do caos, até porque minha vibe mental é outra. Eu sou extremamente otimista, positivo. Mesmo assim, me reservo ao cuidado de não inventar/criar algo, que vá contra alguns princípios básicos, sendo um deles, o de gerar o máximo de renda e emprego para as pessoas, sobretudo, as mais simples.

Ah, no caso da construção civil, onde casas e prédios serão feitos por impressoras e uma meia dúzia de pessoas capazes de dominar a I.A., esses imóveis não terão nem a metade vendida, pois médicos, contadores, engenheiros, mestres de obras, ficarão sem renda, e estarão tentando se readaptar. Sem renda, eles não irão ao cabeleireiro, à manicure, e também diminuirão as compras no supermercado, que terá de dispensar mais 100 colaboradores, que também não vão poder comprar imóveis. Esses colaboradores do mercado não irão mais à papelaria, e alguns tirarão os filhos do colégio particular, da aula de música e teatro. Sem metade dos alunos, o colégio irá dispensar metade dos professores, que também não vão comprar imóveis, nem irão tanto ao cabeleireiro, à manicure e ao supermercado.

Calma, é apenas uma reflexão. Eu torço para que toda essa revolução que estamos passando, seja artificial só no nome, e que não o seja assim no pensamento. Torço para que seus maiores detentores, os criadores de todo esse mecanismo magnífico, não sejam capazes de imaginar um mundo em que a desigualdade fique cada vez evidente entre os humanos. Já vivemos uma época assim, precisamos agora usar nossa inteligência não para criar outra inteligência que nos distancie ainda mais uns dos outros.

Sempre é bom um pensamento ético, com um olhar generoso para o bem-estar das pessoas quando criamos algo.

Sem isso, seria como criar um medicamento contra picada de escorpião, mas dar o antídoto ao bicho, e não a quem foi picado.

Será que a I.A. vai destruir seu criador? Foi essa a minha pergunta inicial. E a resposta é óbvia: claro que não. Somente o próprio homem pode fazer isso com ele mesmo, e isso ocorre toda vez que ele se esquece de pensar amorosamente no outro quando cria algo, focando apenas no próprio ego e bolso.

Vamos torcer para que nosso futuro seja bem melhor com a I.A., para que quem cuida disso, pense nos impactos na sociedade como um todo, e não nuns poucos privilegiados que irão lucrar com isso tudo, porque é mais que óbvio que não dá para todo mundo se realinhar, num tempo hábil, toda vez que algo é inventado e substitui milhares, senão milhões de seres humanos em diversos segmentos.

Forte abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre.

Prof. Paulo Sérgio

Empresário e Palestrante

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PROF. PAULO SÉRGIO

PALESTRANTE  INTERNACIONAL

Sócio-Diretor do

GUARÁ SERVIÇOS DE

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