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  • Jeff Porciúncula

Quantas pessoas você tem esquecido de levar para jantar fora?

Graças a Deus, tive uma infância pobre. Morei em duas vilas onde a maioria das crianças tinha o mesmo perfil da minha família: gente simples, trabalhadora, e com baixa renda, que comia farinha de milho com água quente e sal várias vezes no mês.

Ou seja, como era de se esperar, tínhamos tudo para ser alguém na vida, crescer, afinal, já estávamos no que chamam de fundo do poço (achou que ia reclamar né.... risos).

Mas só estou contando isso, para fazer um link com a moral da história que vou contar neste artigo.

Dessa forma, minha missão era correr atrás do pão nosso de cada dia, como ensinamos a praticamente toda criança e adolescente. Quando comecei a ganhar algum dinheiro, eu já tinha uns 25 anos de idade. Nessa época, eu prometi várias vezes ao meu pai, que o levaria para jantar num restaurante, num rodízio de carnes. Contudo, sempre que eu o visitava, arranjava uma desculpa profissional, alegando que estava sem muito tempo, mas, logo sairíamos juntos para jantar. E assim os meses foram passando, e eu adiando o jantar.

Na semana em que eu estava convicto de que o levaria para jantar, meu pai teve um infarto. Ele ficou internado duas semanas. Numa bela noite, das quais passei cuidando dele, fiquei em pé na sua frente, e alisando seus ralos cabelos, falei: “pai, eu te amo, e preciso que aguente firme, pois tenho que o levar para jantar fora, lembra?”. Notei que ele esboçou um sorriso, porém, uma lágrima caiu do seu olho esquerdo.

Meu pai tinha problema de surdez, ouvia apenas quando a gente falava bem alto. Por incrível que pareça, no período em que ficou na UTI, parecia ouvir qualquer bocejo que eu fizesse. Infelizmente, poucos dias depois que falei isso, ele faleceu, e eu não pude levar meu pai para jantar fora.

Então eu lhe pergunto: quantas pessoas você tem esquecido de levar para jantar fora?

Vivemos numa correria maluca. E isso, geralmente, é saudável. Trabalhar, estudar, conquistar as coisas, fazem parte da vida de todos nós, e são vitais para o nosso sucesso e felicidade.

Contudo, muitos estão deixando de lado coisas simples, mas de uma importância ímpar, vital. E sabemos que não é uma questão de tempo: é uma questão de inventarmos desculpas, e acharmos que temos todo o tempo do mundo, e que situações como a minha, só acontecem na vida dos outros. Vamos adiando tantos encontros, imaginando que amanhã arranjaremos tempo. Isso não existe.

Precisamos de tão pouco tempo para sermos e fazermos alguém feliz, que depois desse episódio, eu procuro não perder chance alguma de encontrar e doar meu tempo, e receber o tempo das pessoas em troca.

Aprendi que a dor do arrependimento é terrivelmente maior do que a dor da saudade. Só não tenho mais arrependimento, porque conseguir realizar várias coisas que gostaria ao meu velho pai. Porém, o jantar ficou sem final.

Talvez seja por essa razão que hoje em dia, eu vivo arrumando desculpas, porém, para sair jantar em família, ou fazer um churrasco em casa, mesmo que seja para comemorar o fim da voz do Brasil!

Portanto, continue na sua correria, ela é necessária. Você não está no caminho errado. É com todo esse empenho que irá longe, até realizar suas mais ousadas metas. Mesmo assim, a cada período, tire um tempinho, por mais curto que ele seja, para fazer aquilo que sabe que tem de fazer, mas vem adiando, dando mais e mais desculpas.

Não precisa ser nada grandioso, embora possa ser, se você puder. O mais importante, é tirar um tempo para ir à uma pizzaria, passear num parque, brincar no sofá ou no jardim, se entregando por completo nesse momento às pessoas que estiverem com você. Essa pequena pausa, inclusive, vai servir para você recarregar as baterias e ter ainda mais resultados na sua carreira, nos seus negócios.

Leve alguém importante para jantar fora, hoje!

Forte abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre. Prof. Paulo Sérgio Empresário e Palestrante

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PROF. PAULO SÉRGIO

PALESTRANTE  INTERNACIONAL

Sócio-Diretor do

GUARÁ SERVIÇOS DE

CONTABILIDADE

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